quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Zazen


O Zazen (meditação zen budista) pode ser considerado “o coração” da prática Zen Budista, pois é a prática central, o eixo sobre o qual giram todas as outras práticas do Zen (Cerimonial, Samu, Estudo, Preceitos, Relacionamento Mestre-Aluno, etc).
“Za” significa “sentar” e “zen” é a pronúncia japonesa do ideograma chinês “ch´an” que, por sua vez, foi a pronúncia chinesa do termo “dhyana” (sânscrito) do Budismo primitivo e refere-se ao estado de concentração, ou “absorção”, próprio da prática meditativa.
O Budismo nos ensina que a meditação é um dos pontos do Caminho em Oito Aspectos, que leva ao Nirvana, ou à libertação do sofrimento. Portanto, a nossa prática aponta na direção dessa libertação. Mesmo assim, “efeitos colaterais” da prática de zazen aparecem quase que de imediato, quando iniciamos a prática. Incluem-se relaxamento, maior equanimidade, redução do estresse e da ansiedade e efeitos positivos na saúde (regula os batimentos cardíacos e a respiração, pode reduzir o nível de colesterol e a pressão arterial, etc), além de autoconhecimento e maior domínio sobre si mesmo (menos impulsivo, menos “levado pelas emoções”), etc.
Continuando a prática, inicia-se o despertar da Sabedoria e da Compaixão, culminando na libertação do sofrimento – “iluminação” ou “nirvana”. No Zen, fala-se em “kenshô” (o primeiro vislumbre da iluminação, uma “pequena iluminação”) e “satori” (a Iluminação).
Mas não vamos imaginar que a caminhada seja sempre fácil e suave…
Nas fases iniciais, sentar-se em zazen pode ser até bastante difícil, pois, contrário aos mitos populares que imaginam que a prática leva a uma estado “alienado” ou “aéreo”, o zazen corretamente praticado leva o praticante a uma maior clareza mental.
Isto significa que o iniciante possivelmente vai perceber uma agitação mental ou tensões físicas que “sempre estiveram lá” mas que ele não havia se dado espaço para perceber anteriormente. Poucas pessoas conseguem manter uma prática regular sozinhas – geralmente, a “inquietação” interior vence e a pessoa “descobre” que “tem outras coisas para fazer”. A prática em grupo ajuda muito, pois a “força do grupo” facilita a superação das inquietações, possibilitando que a pessoa comece a fazer o mergulho interior na direção à Paz e Tranquilidade.
Um outro aspecto da prática inicial que requer cuidados é que podem surgir lembranças dolorosas do passado. Estas podem surgir na forma de lembranças, imagens ou até na forma de “memórias corporais” ou “fluxos de energia”. O apoio de um líder de prática qualificado pode ser muito importante nestas horas, para facilitar a “passagem”, pois, mantendo a prática regular correta, esta fase passa e estas “lembranças” são “libertadas”. Em casos mas graves, algum tipo de terapia pode ser indicado.
A circulação da energia “chi” pode ser ativada e, em alguns momentos, o praticante pode experienciar fenônemos mentais como “visões” ou mudanças na percepção do corpo físico, etc. Mais uma vez, a orientação de um líder qualificado torna-se muito importante em todas estas fases, para ajudar o praticante a evitar cair em “armadilhas” que possam interromper o aprofundamento da prática correta.
Finalmente, até mesmo os praticantes de longa data podem sentir até bastante dor física (por exemplo, durante um retiro longo). Descobrimos tensões físicas que estávamos ocupados demais para perceber – nas costas, nos ombros. As pernas não estão acostumados à posição de meditação, sentado no chão com as pernas cruzadas. Mas aprendemos a “não tocar na dor”, e, quando necessário, mudamos de posição ou passamos a sentar no banquinho ou na cadeira.
A prática Zen Budista, como caminho de auto-transformação e libertação do sofrimento, não se limita somente à prática do zazen, apesar desta ser a prática central. Uma prática solitária de zazen torna-se uma prática limitada, pois a mente gira em torno dos seus próprios condicionamentos. O estudo dos ensinamentos, a prática da moralidade budista e a convivência com um professor de Darma qualificado e com os membros de uma Sanga saudável – com os choques e atritos que naturalmente surgem por causa do ego condicionado – criam as oportunidades que instigam e provocam a mente condicionada, convidando-a à mudança. Este é o Sangaku, os Três Treinamentos (ou Triplo Treinamento) da prática budista.
Cada pessoa pode aprofundar-se na prática até o nível que desejar. Assim, quem preferir cultivar a prática simplesmente como uma forma de relaxamento merece a mesma consideração e respeito que a pessoa que decide mergulhar profundamente na caminhada espiritual em direção a “kenshô” e “satori” – a Iluminação.

Fonte - Zendô Virtual

Praticar Zazen em Casa


Sou principiante. Como devo iniciar a prática de zazen em casa?
Antes de se sentar para praticar o Zazen (a meditação zen budista), decida quanto tempo quer ficar sentado. Use uma gravação de uma sessão de zazen como timer ou, se quiser, use este timer da Internet. Não é muito conveniente usar um despertador, pois o som forte do despertador pode ser muito desagradável para finalizar um período de zazen.
Recomenda-se que determine uma duração que seja viável para você praticar numa base regular, mesmo que seja somente 5 minutos. É preferível fazer 5 minutos com regularidade (todo dia ou três vezes por semana, por exemplo) do que 40 minutos de quinze em quinze dias – mas 40 minutos uma vez por mês é melhor que nada…
Uma vez decidido o tempo que quer praticar, é bom respeitar sempre este tempo. Assim, no dia que está difícil sentar, use a sua perseverância para continuar sentado até terminar o tempo – e no dia que parece que entrou no sétimo céu, use a sua disciplina para parar quando terminar o tempo. Esta regularidade é muito importante.
Você pode sentar zazen numa cadeira, usando um banquinho especial para o zazen, usando uma almofada especial chamada “zafu”, usando um cobertor dobrado para formar um substituto de zafu ou sentando diretamente no chão. Pode colocar uma peça chamada “zabuton” ou um outro cobertor dobrado por baixo do zafu (ou seu substituto).
Se for sentar numa cadeira, é preferível não se encostar no espaldar, mas manter as costas bem retas, porém sem tensão.
Se for sentar num zafu ou diretamente no chão, deve ajustar as pernas em lôtus completo (os dois pés descansando sobre a coxa oposta), meio-lôtus (um dos pés sobre a coxa oposta e o outro pé descansando no chão) ou na posição birmanês (os dois pés no chão).
Assim que ajeitar as pernas, ajuste o corpo, endireitando as costas e ajustando a posição da cabeça para que o nariz fique alinhado com o umbigo e as orelhas fiquem alinhadas com os ombros. É muito comum o praticante ficar sentado com a cabeça jogada para a frente, ou com o queixo empurrado para a frente. Deve-se puxar o queixo para dentro e manter a cabeça reta.
Ajuste a coluna para que fique reta, porém sem tensão, especialmente na região lombar. Solte os ombros, sem deixar que caiam para a frente.
Descanse o dorso da mão direita no colo, junto ao abdômen e coloque os dedos da mão esquerda sobre os dedos da mão direita. Junte as pontas dos polegares levemente, formando uma espécie de elipse – esta posição é chamada de “mudra côsmica”.
Descanse a vista mais ou menos um metro na frente no chão, sem fixar em nada, com os olhos entre-abertos.
Inspire e expire profundamente uma ou duas vezes – sem fazer barulho – e comece o seu zazen. Se tiver um sino, pode tocá-lo três vezes.
Durante o seu zazen, inicialmente – e até que um professor confirme que pode prosseguir – treine para fortalecer o seu foco, a sua concentração. Para isto, conte as suas respirações, enquanto respira normalmente, naturalmente, sem tentar “controlar” a respiração. Conte “um” na inspiração, “dois” na expiração, “três” na inspiração, “quatro” na expiração e assim em diante até chegar em “dez”. Aí, recomeça a contagem a partir de “um”,da mesma forma que a função do pâncreas é produzir insulina, a da mente é produzir pensamentos. Sem perceber, acabamos nos deixando levar por estes pensamentos, nos identificando com eles, imaginando que “somos os nossos pensamentos”. Então, esquecemos a nossa contagem, esquecemos de observar a nossa respiração e “viajamos” nos pensamentos, criando as nossas “histórias”. Aparece um pensamento qualquer em nossa mente e, em lugar de simplesmente observá-lo e deixá-lo passar da mesma forma que veio, adicionamos mais um pensamento e mais um e mais um – criamos as nossas novelas preferidas com lembranças do passado ou histórias imaginárias sobre desastres futuros que tememos… Saímos do Aqui e Agora, esquecemos de nossa respiração.
No momento que se dê conta que se distraiu, sem qualquer tipo de auto-crítica ou auto-julgamento, simplesmente volte à contagem das respirações, a partir de “um”.
Faça isto quantas vezes necessárias até que termine o tempo de seu zazen. O valor desta prática é o treinamento em se dar conta do fato que se distraiu e retornar ao centro, retornar ao foco, retornar à respiração, retornar à contagem.
Aprendemos a deixar os nossos pensamentos vir – e ir embora por si mesmos – aprendemos a simplesmente observá-los, sem “tocar neles”, sem ficar “envolvidos neles”. Com este “não tocar” nos pensamentos, nem “agarramos” os pensamentos que surgem na mente dando continuidade ao fluxo de idéias, e nem ficamos tentando “empurrá-los para longe” fazendo um esforço para não pensar. Deixamos eles lá, como deixamos as nuvens no céu. Mantemo-nos focados na nossa respiração e os pensamentos passam sozinhos, naturalmente. Não dando atenção a eles, os pensamentos acabam indo embora, como uma visita inconveniente que acaba indo embora quando não atendemos a porta…
Com a prática, você passará a se distrair com menos freqüência e este “dar-se conta e retornar ao foco” vai se tornando cada vez mais fácil. Neste momento, pode notar que a mente começa a se aquietar naturalmente, sem que você precise fazer nada para isto, além de manter o seu foco. Quando você perceber que a sua mente está naturalmente ficando mais quieta durante uma boa parte de seu zazen, converse com a pessoa que orienta a sua prática para explicações sobre como continuar, até poder iniciar o verdadeiro “shikantaza” (somente sentar-se em zen) de nossa tradição.
Terminado o tempo de seu zazen, se tiver um sino, pode tocá-lo uma vez. Balance o corpo para frente e para trás, e para os lados. Espreguice-se. Progressivamente ative o corpo. Mexa os pés, as pernas até que volte a circulação . Não tente se levantar se estiver com uma perna ou pé adormecida. Assim que estiver pronto, levante-se e faça reverência de agradecimento. Volte às atividades regulares de uma forma suave – procure manter este estado de tranqüilidade interna durante suas atividades diárias. Se quiser, pode fazer um pequeno serviço religioso, com a leitura de sutra, antes de retornar às suas atividades diárias.

Boa prática!

 Fonte - Zendô Virtual
Sutra do Coração

O Bodhisattva Avalokitesvara,
Praticando profundamente o prajna paramita,
Viu claramente o vazio de todos os cinco agregados.
Assim libertou-se completamente do infortúnio e sofrimento.
Oh Shariputra, forma nada mais é do que vazio,
Vazio nada mais é do que forma;
Assim, forma é vazio, vazio é forma.
À semelhança disto, sensação, conceituação, discriminação
E consciência são também assim.
Oh Shariputra, todos os dharmas são vazios,
Nem surgem, nem findam;
Nem são impuros nem puros, destituídos de acréscimos ou perdas;
Assim, no vazio não há forma, nem sensação, conceituação,
Discriminação ou consciência;
Nem olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, mente;
Nem cor, nem som, nem cheiro, nem sabor, nem tato, nem fenômeno;
Nem campo da visão, nem campo da audição, nem campo do olfato,
Nem campo gustativo, nem campo táctil, nem campo da consciência;
Nem ignorância e nem extinção da ignorância...
Nem velhice e morte, e nem a extinção da velhice e morte;
Nem sofrimento, nem causa de sofrimento,
Nem extinção do sofrimento,
Nem caminho para a extinção do sofrimento;
Nem sabedoria e nem qualquer aquisição;
Nada que possa ser encontrado;
E então o bodhisattva vive o prajna paramita
Sem nenhum obstáculo na mente.
Sem obstáculos, portanto sem medo,
Inteiramente afastado de sonhos ilusórios, isto é nirvana.
Todos os Budas do passado, presente e futuro vivem prajna paramita,
E assim atingem anuttara-samyak-sambodhi.
Portanto saiba, o prajna paramita é o grande mantra,
O mantra vívido, o melhor mantra, o mantra insuperável.
Ele elimina completamente qualquer dor
Isto é a verdade e não uma mentira.
Assim, tome o mantra prajna paramita,
Tome este mantra e diga:
Gate! Gate! Paragate! Parasamgate!
Bodhi svaha! Prajna Paramita Sutra. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

KAMI NO MICHI

ROTEIRO DE PRÁTICA
 

PARTE I

REISHIKI

KUJI IN

DOJO KUN
 

PARTE II

JUNBI UNDO

HOJO UNDO
 
TENCHIGOSO

KIHON

KATA 

KUMITE
 

PARTE III

KOKYO
 
KOTODAMA
 
GOKAI
 
MOKUSO
 
REISHIKI 
 

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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

                                                                KAMI NO MICHI

O PERFEITO CAMINHO É SEM DIFICULDADE
SALVO NO EVITAR COLHER E ESCOLHER
SÓ QUANDO DEIXAS DE GOSTAR E ABORRECER
É QUE TUDO SERÁ CLARAMENTE ENTENDIDO
SEGUE A TUA NATUREZA E HARMONIZA-TE COM O CAMINHO
AVANÇA CALMAMENTE E ABANDONA AS INQUIETAÇÕES
NÃO TE PREOCUPES COM O CERTO E O ERRADO
O CONFLITO ENTRE O CERTO E O ERRADO
É A DOENÇA DA MENTE

KAMI NO MICHI É UMA ARTE MARCIAL ORIGINADA DA SÍNTESE DE CAMINHOS MARCIAIS DE ORIGEM NIPÔNICA - KARATE-DO, IAIDO E AIKIDO - ASSOCIADA À SABEDORIA DO BUDISMO, DO REIKI, DO YOGA E DO QI GONG.

AS PRÁTICAS SÃO ORIENTADAS NO FORMATO PERSONAL, POIS CADA UM É UM INDIVÍDUO COM NECESSIDADES E CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS.

LOCAL DE PRÁTICAS

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         ZAZEN       


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TODA QUARTA FEIRA ÀS 19:00HS

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